Homenagem aos Agentes de Endemias Gerson Paulo da Silva e João Francisco dos Santos

Saúde07/10/2019, 09:10:00 Total de Visualizações: 322

- Carlos Alberto dos Santos Dutra (Carlito)

Amigos me dão licença

Um minuto vou falar

Quero aqui homenagear

Uma pessoa querida

Que pelas canhadas da vida

Fez historia na saúde

Peço que Deus o ajude

Nesta sua caminhada

Estrada longa trilhada

Com muita dedicação

Fez das tripas coração

Como agente de endemias

No tempo, naqueles dias

Tão difíceis de outrora

Falo agora sem demora

De Gerson Paulo, irmão

Com aperto no coração

Agora aposentado

Por nós todos estimado

Desde que aqui chegou

De Andradina de onde veio

10 irmãos, sem aperreio

Nascido em 53

20 de outubro era o mês

Chegando no Mato Grosso

Devagar, sem alvorosso

No ano 63

O filho de camponês

Se achegou na Brasilândia

Conhecida Arturlândia

Pertencia a Xavantina

Sem prefeito, na campina

E, olha lá o moleque

Colocando o pé no breque

Diante do cavaleiro

Não, não era um pistoleiro

Era o Joaquim, candidato

Pedindo voto, mandato

Prá prefeito, eleição.

Depois o Zé Marques, de então

Assumiu o patronato.

 

Seu Gerson todo é memória

Um homem que conta história

Daquilo que já viveu

Soube lutar e venceu

Desde o tempo do Nicola

Colega que fez escola

Chamado de cuiabano

Da SUCAM um veterano

E o Cido da malária

Percorrendo a braquiária

Gerson Paulo de mochila

Brasilândia era vila

Mas a região era enorme

Muito rigor no uniforme

A barba bem aparada

Toda ação fiscalizada

Pelo tal supervisor

Que não via com amor

O peso daquela bomba

Aspersora, uma tromba

Pesada de inseticida

Que era oferecida

X-Pert da Hudson era a marca

Mas quando a chuva encharca

O corpo e alma do agente

Lá vai seu Gerson valente

Vencer outro desafio

Cruzar a distância e o rio

Com a sua bicicleta

E lá vai o nosso atleta

Sem medo pelas encostas

Com a vida sempre exposta

Ao veneno e a intempérie

E nesta vida paupérie

Foi superando a morte

Com a ajuda de Deus teve sorte

Quando veio a condução

Veículo a disposição

Coisa rara uma carona

A comida, amigona

Era o empacotado

Farofa, assim ensacado

Que levava no bornal

Com carinho maternal

Pela patroa preparado.

 

E lá vai o nosso Gerson

Dormindo em uma rede

Pendurada na parede

Do galpão ou galinheiro

Tendo o céu por companheiro

Ou no galho de um arbusto

Às vezes levava um susto

Com medo de algum bicho

Onça, formiga, capincho

Mas logo adormecia

Ver logo chegar o dia

Longa noite de ousadia

Deste herói da Endemias

DENERU assim chamada

Que estava programada

Para cuidar da malária

Febre amarela fundiária

A peste e o mal de chagas

Enfermeiro destas plagas

Lá no fundão das fazendas

O povo de baixa renda

Sem acesso a prevenção

Aplicava injeção

Técnico em laboratório

Verdadeiro ambulatório

Coletava sangue, fazia

Lâminas, mais de cem, produzia.

E lá vai o nosso irmão

Educação em Saúde

Com palavras simples, amiúde

Gerson dá os seus conselhos

Sua vida é um espelho

Um livro que está aberto

Mostra prá longe e pra perto

O gosto pelo trabalho

Desculpe se me atrapalho

Na rima, do pajador

Foste nosso professor

De história e procedimentos

Prevenção, acompanhamento

Aos trabalhos realizados

Traz lembranças do passado

Que ilustram dias atuais

Alimenta os ideais

Dos agentes de endemias

Que também não veem o dia

Bicicleta, deixar de lado

A mochila e o legado

Que fica cá na Saúde

Pedido a Deus que ajude

Ao Gerson e sua família

Pois estamos em vigília

Por sua felicidade

E já sentindo saudade

De vê-lo assim, e gozar

O descanso acalentar

Enquanto aqui esperamos

Velhos e crianças sonhamos

Um dia se aposentar...

 

 

Com o agradecimento e as homenagens dos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde ao servidor Guarda de Endemias, Gerson Paulo da Silva, a Agente de Saúde João Francisco dos Santos, pelos serviços prestados ao Núcleo de Combate a Endemias de Brasilândia/MS.

Brasilândia/MS, 4 de outubro de 2019.

 

Carlos Alberto dos Santos Dutra (Carlito).

Fonte: Carlos Alberto dos Santos Dutra (Carlito)